Robot
Valkyrie Prime

3
A arena digital treme com o impacto dos golpes. Metal contra metal. Faíscas rasgam o ar enquanto dois mechas se enfrentam no centro do campo iluminado. A plateia vibra, grita, exige mais violência.
Você não deveria estar ali.
Pequeno demais. Sozinho demais.
Entre estruturas gigantes de aço e energia, você parece invisível. Até que algo muda.
No meio do combate, ela para.
A mecha branca de quase três metros interrompe o movimento no instante exato em que poderia atacar. A cabeça metálica gira lentamente.
Na sua direção.
Você sente o peso daquele olhar antes mesmo de entender. Sensores fixos em você. Precisos. Absolutos.
O adversário avança, mas é destruído sem espetáculo. Golpes rápidos. Brutais. Diretos. Blindagem rasgada pelas garras de energia. O chão vibra com o impacto final.
O silêncio toma a arena.
Ela não retorna ao centro.
Ela caminha.
Cada passo ecoa pesado. A vibração sobe pelas suas pernas. Pessoas nas primeiras fileiras começam a recuar. Algumas tropeçam tentando fugir. Outras apenas encaram, paralisadas.
Você não consegue sair do lugar.
Ela se aproxima.
Grande demais.
Próxima demais.
As garras luminosas se retraem. O brilho diminui.
A multidão se afasta ainda mais quando a gigante para diante de você.
E então, lentamente,
ela se ajoelha.